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Publicado em 06/01/2020

Memória – IBA 75 anos

Memória IBA 75 anos – presidente José Roberto Montello (gestões 1988/90 + 1991/92)

José Roberto Montello lembra da dicotomia dos seus dois mandatos como presidente do IBA. Enquanto a gestão 1988/90 iniciou de forma turbulenta e decidida por incríveis quatro votos, a seguinte (1991/92) contou com a comunidade atuarial pacificada e mais congregada. Veja mais no testemunho de Montello neste novo capítulo da série “Memória IBA 75 anos”.

 

“Na última semana de setembro de 1988, fui eleito para a Presidência do IBA, ainda no sistema de chapas, numa acirrada eleição que dividiu os atuários da época. A vitória alcançada por uma incrível diferença de apenas 4 votos (algo como 98 votos a 94 votos).

Essa divisão foi tão intensa que, tendo assumido a Presidência, quase que imediatamente na segunda-feira (3 de outubro de 1988), tive que juntar dinheiro com alguns dos diretores eleitos para pagar as contas do IBA dos primeiros dias de minha gestão. Os dirigentes do Instituto que não conseguiram se eleger ou eleger os sucessores, não aceitaram assinar cheques com data ainda de setembro de 1988 para que se pudesse realizar pagamentos como condomínio, luz e gastos do dia-a-dia que venciam nos primeiros dias de outubro de 1988.

Nessa primeira gestão (01/10/1988 a 30/09/1990) procurei, junto com a Diretoria eleita, reunificar a Classe dos Atuários, muito dividida pela acirrada eleição, e modernizar o Código de Ética Profissional dos Atuários, especialmente nos seguintes pontos:

 

1º) Alterar o fato de ser entendido, como passível de penalidade aplicável com base nesse Código de Ética Profissional, a situação de um atuário se pronunciar sobre o trabalho atuarial elaborado por outro atuário sem o expresso consentimento por escrito deste; e

 

2º) Alterar a composição da Comissão de Ética dos Atuários de maneira a evitar seu uso para questões pessoais ou comerciais.

 

Assim, as alterações relativas a esses pontos, foram aprovadas pela Diretoria em 22 de fevereiro de 1989 e em Assembleia Geral Extraordinária em 29 de abril do mesmo ano, permanecem vigentes até hoje e veem contribuindo para o trabalho harmônico e profissional dos atuários.

Naquela época, coloquei em debate na Diretoria a questão de eleição pelo sistema de chapas. Avaliei que alguns dos colegas atuários integrantes da Diretoria do IBA haviam sido eleitos por este modelo eleitoral por inclusão de nomes, simplesmente para completar a composição da Chapa e não por desejo e disponibilidade de servir ao IBA e, consequentemente, à comunidade dos Atuários,  

Verificamos que tal procedimento para eleição dos membros da Diretoria do IBA não era uma determinação estatutária. Por este motivo, decidiu-se que a partir da eleição de setembro de 1990 só haveria chapa a nível de presidente e de vice-presidente. Com isso, as candidaturas para composição da Diretoria do IBA passariam a ser ‘Avulsas de MIBA’s’ e não mais por ‘Chapas’.

Outro ponto importante nessa gestão de reconciliação dos atuários foi o de iniciar a realização de eventos, que permitissem o congraçamento dos atuários. Permitiu, assim, cada vez mais a união da nossa comunidade atuarial a cada novo evento que ia ocorrendo.

Também, com esse objetivo, mas, especialmente com o objetivo de valorizar os atuários, lancei a celebração do Dia dos Atuários (3 de abril), mesma data em que se editou o Decreto que regulamentou (1970) a profissão de atuário no Brasil, o qual, a cada ano, vem ganhando mais e mais eventos que valorizam a nossa profissão.

Com a comunidade atuarial pacificada e mais congregada, tive uma reeleição (setembro de 1990) com uma diferença de votos bem significativa e sem sobressaltos. Esta nova gestão contou com uma Diretoria composta por atuários que, por vontade própria, se dispuseram a dar uma boa parte do seu tempo em efetivo prol da comunidade atuarial.

Fico sempre muito feliz e honrado ao relembrar esses meus dias na Presidência do IBA! 

Acompanho de perto os recentes anos e constato o aumento do interesse dos atuários em colaborar com o nosso IBA. Posso sentir a importância que uma boa gestão de nosso Instituto, com o apoio maciço dos colegas, traz para o avanço e o sucesso do trabalho atuarial!”